Já estou em Salvador depois de 20 dias na Chapada Diamantina, lugar que ficou gravado na minha mente, só na mente e coração mesmo porque logo no segundo dia de trilha consegui derrubar minha Canon G9 numa pedra e acabar com minhas chances de conseguir algumas fotos. Mas é bom, viajar sem camera de vez em quando nos força a lembrar melhor dos lugares que visitamos.
Cachoeira da Fumaça por baixo
Cheguei em Lençois e lá fiquei 4 dias até encontrar um casal paulista e um tocantinense de Palmas, que juntos formaram um grupo pra fazer a trilha da Cachoeira da Fumaça por baixo. Foram 3 dias de trilha passando pelo vale da Capivara e algumas cachoeiras como Palmital, Capivari e claro, a própria Cachoeira da Fumaça, a segunda maior do Brasil com 340 metros de altura.
A trilha foi fantástica porém realmente cansativa. Mas cada passo esforçado uma vista deslumbrante recompensava. Foi fantástico ter o privilégio de ver a lua cheia (e como estava cheia!) no meio do vale no primeiro dia de acampamento. Com sua imensidão iluminava todo acampamento, nem precisavamos de lanterna.
No segundo dia fomos ver de fato a Fumaça por baixo e que fumaça! Chegamos lá não havia muita água e o pouco de água que escorria pela cachoeira virava fumaça antes mesmo de encostar o chão. Pasmamos aquela vista por muito tempo…
Seguimos no terceiro dia para a Fumaça por cima e mais uma vez, que espetáculo. A vista lá de cima é sensacional pegando os imensos paredões de pedra ao fundo. O conjunto forma um visual inigualável, tinha momentos que todo o ambiente me transportava para um outro mundo e eu podia comtemplar tudo aquilo em silêncio, apenas sentindo a energia do lugar.
Depois da cachoeira da Fumaça por cima seguimos para o Vale do Capão, um lugar bem peculiar que chamou a atenção de hippies e pessoas alternativas e assim virou uma vila bem atípica. Um lugar rico em variedade, porém bem pequeno. A vila foi muito acolhedora, ficamos lá 1 dia onde nos despedimos de nosso amigo tocantinense e nosso guia.
Vale do Pati
Seguimos juntos, eu e o casal paulista, agora rumo ao Vale do Pati. Primeiro dia de trilha foram 25km, com direito a muita chuva na cabeça e lama nos pés. Tinha horas que ela passava a canela. Os tombos foram inevitáveis, posso lembrar de pelo menos 3 que deixaram sequelas no dia seguinte! =)
Chegamos a igrejinha, o primeiro pit-stop do Pati. É a casa de um morador local, lá ficamos a primeira noite. Dia seguinte tentamos ir a cachoeira do Funis. O grupo era grande, 11 pessoas que encontramos lá mesmo na igrejinha. Bem, acabamos que não achamos a cachoeira e tivemos que seguir para nossa próxima parada, a casa de Dona Raquel. No meio do nada conseguimos um almoço caseiro fantástico e até um banho quente. Dona Raquel fez um sistema com o fogão a lenha que aquece a água para proporcionar segundos de prazer. Depois de um dia cansativo de trilha, nada melhor.
A melhor trilha que fiz foi a do Monte Castelo. Pelo nome dá pra imaginar, é um monte que o topo lembra o forte de um castelo, todo pomposo e cheio de graça. Sem contar a vista lá de cima. E se não bastasse quando chegamos nos deparamos com uma gruta fantástica com duas saídas para dois lugares com vistas memoráveis. Vimos o vale do Calisto pela fenda, e que vale fabuloso!
Prefeitura foi a segunda parada, casa de Jailson que nos recebeu tão bem. Aproveitamos o dia para relaxar, fomos num poço próximo e montamos acampamento na beira do rio. Dia e noite super agradável, com direito a comida feita na pedra!
No dia seguinte fomos ao seu Eduardo, um morador local de 81 anos com idade de 40. Foi ótimo compartilhar momentos especiais com ele e sua esposa. Nesse mesmo dia tentamos ir ao Cachoeirão, mas perdemos a trilha e Bia que estava com a gente não se sentia tão bem, decidimos voltar.
Acordamos no dia seguinte e nos despedimos de um grupo que passou a noite lá conosco. Era o grupo de Araquém Alcântra (wiki), fotógrafo principalmente de natureza. Ele simplesmente me encantou suas fotos e carisma. E assim foi o nosso último dia de Pati. De seu Eduardo fomos para a cidadade de Andaraí.
Lá encontramos novamente um grupo de amigos que tinhamos conhecido logo no primeiro dia de trilha. Foi ótimo reve-los. Ficamos em Andaraí uma noite apenas e chegou hora de despedir. Cada grupo para um lado. O casal foi para Lençois, 3 dos 4 curitibanos que conhecemos iam no dia seguinte para Salvador e eu e 1 dos curitibanos seguimos viagem destino Ibicoara.
Ibicoara – Buração, Licuri e Rio Preto
No caminho ficamos uma noite em Mucugê. Não podiamos gastar muito dinheiro então pedimos pra ficar num restaurante com saco de durmir. E lá ficamos, no salão do restaurante uma noite e logo pela manhã disparamos para Ibicoara.
Logo que chegamos encontramos um grupo de 20 pessoas que estavam saindo em vários carros para o Buracão, logo pegamos uma carona com eles. Com certeza esse foi um dos melhores lugares que fui na Chapada. Trata de um canion com uma cachoeira no fundo. Pra chegar tem que nadar 100 metros ou grudar nas pedras do canion e ir. Simplesmente sensacional, a água estava tão forte devido vários dias de chuva seguidos, que não conseguiamos nem chegar perto direito.
Tentamos de todas as formas convencer alguns guias para nos levar na cachoeira da Fumacinha, mas por causa da chuva era impossivel atravessar as pedras escorregadias do caminho. Ficamos apenas na vontade, vai ficar para uma próxima. Aproveitamos que estavamos lá e fomos em outras duas cachoeiras, Licuri e Rio Preto, realmente muito bom.
O Rio Preto foi nossa cachoeira de despedida, de lá me despedi de André, amigo de Curitiba que foi comigo e parti para Salvador. Cheguei ontem aqui, as 4 da matina. Devo ficar mais uns dias e ir a Arembepe, lugar indicado por uma amiga de SP que conhecemos em Ibicoara.
Depois de 170km de subidas, descidas, tombos, arranhões e muita aventura estou vivo, e pronto para outra. Acho que próxima trilha vai ser a subida do Monte Roraima, que são pelo menos 8 dias de caminhada. Vamos ver…
Continuo com a filosofia “não ter planos é um bom plano”. Então não tenho datas específicas, mas pretendo chegar em Aracajú semana que vem.
A viagem continua, mochilão nordeste está a todo vapor. Já foram quase 2 meses e ainda não sai da Bahia! Mas devagar a gente chega lá. =)
Gastos
Aqui vai um resumo de gastos:
Guia para a Fumaça por baixo: 35 por dia (geralmente é 80, mas eu tinha equipamento e fui com um cara muito gente boa e por isso esse preço).
Média de gastos no Pati por dia: 15 (com acomodação que varia de 6 a 8 reais).
Acomodação em Andaraí: 8 reais
Em Mucugê: 7 reais
Em Ibicoara: 8 reais
Gastos com comida variaram entre 10 a 20 reais por dia.
Média de gastos por dia ficaram entre 20 e 30 reais, contando coisas que compramos e alguns luxos. Valeu muito a pena. Só em Lençois que o custo foi muito maior, pois decidi ficar num Hostel de 20 reais a diária.
Em todos os lugares que fomos pedimos desconto e o que conseguiamos geralmente era 2 reais ou até 3 a menos.
Em breve coloco fotos, estou esperando o pessoal que fez as trilhas comigo enviar. Grande abraço e lembre sempre de viver intensamente, seja lá onde for. =)